Jurassic Park: 20 Anos Depois

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Há três semanas atrás vi o Jurassic Park 3D no cinema. Como é habitual, só depois de ver o filme é que li o que se diz por aí. E o que se encontra, fora acusações sobre os verdadeiros motivos por detrás desta adaptação para 3D, não deve chocar ninguém: durante grande parte do filme a tecnologia falha, e quando resulta não impressiona. Um pouco mais de profundidade não faz nenhum favor ao filme, e não se esperava outra coisa.  

Mas eu já sabia isso quando comprei o bilhete. Para mim era absolutamente indiferente ver em 3D ou 2D – não tinha é a segunda alternativa. A verdadeira notícia é que o Jurassic Park voltou aos cinemas. A história dos gigantes do jurássico está finalmente disponível no grande ecrã, para todos os que nunca tiveram essa oportunidade. Tendo nascido um ano antes do filme estrear, eu inseria-me nesse grupo – e posso agora afirmar sem reservas, que vale o dinheiro a mais, o desconforto dos óculos mal confeccionados, e as subsequentes dores de cabeça. Porque em nada isto diminui a sensação de ver um filme pela primeira vez, duas vezes. 
Todos conhecemos bem a história: o visionário John Hammond ( Richard Attenborough – sim, é irmão ) descobriu ADN de dinossauro num mosquito pré-histórico conservado em seiva, preencheu as falhas com ADN de sapo, e com o produto subsequente clonou várias espécies de dinossauros. Cria-os a todos na Isla Sorna, e depois transfere-os para a Isla Nublar, onde construiu um parque. Na sequência de um acidente nesta última, a empresa responsável pela clonagem convidou três especialistas para avaliar a estabilidade do parque: dois paleontólogos, o Dr. Alan Grant ( Sam Neill ) e Dr. Ellie Sattler ( Laura Dern ), e o Dr. Ian Malcolm ( Jeff Goldblum ), um matemático adepto da Teoria do Caos com quem a empresa já tinha trabalhado.
Quando iniciam a visita guiada, eles estão curiosos e entusiasmados; mas quando vêm os dinossauros pela primeira vez, ao vivo, a reacção é bem outra: tiram os óculos, abrem a boca, e saem do carro — não há como enganar, estão estupefactos. São poucos os filmes em que a reacção das personagens espelha tão perfeitamente a reacção do público (eu própria quase que tirava os óculos 3D), e Jurassic Park é definitivamente um deles. Em parte, este feito deve-se à mestria de Steven Spielberg enquanto realizador, mas ninguém duvida que a minuciosa animatrônica e a introdução de efeitos especiais computarizados tenham tido um papel preponderante no espanto e maravilha que o filme causou. Quão influente foi Jurassic Park? Tal como Dana Scully inspirou novas gerações de mulheres a seguir carreiras científicas (o “Scully Effect”), também o filme de Spielberg motivou milhares de jovens a estudar estes animais, estimulando novas pesquisas. 
E embora a tecnologia utilizada esteja ultrapassada, Jurassic Park permanece intemporal não só pela obra de Spielberg, nem só pela música de John Williams (basta pô-la a tocar que todos ficam a sorrir que nem crianças), mas também pelas questões que levanta, ainda hoje relevantes: deverá a Ciência avançar sempre que encontra um caminho, será a descoberta científica o valor supremo? No filme, Hammond teve nas suas mãos o poder de recriar uma espécie extinta, e concretizou esse poder. O que Malcom questiona é precisamente essa concretização, a clonagem de dinossauros, a criação do parque. As consequências eram óbvias – a incapacidade de controlar uma espécie sobre a qual pouco se sabe, life finds a way – e desistir do projecto parecia uma questão de bom senso. Mas a descoberta, o poder, e o sonho são difíceis de resistir. 
E na verdade o que Jurassic Park fez foi concretizar, mesmo que ficticiamente, o sonho de todos os que vivem fascinados por estes animais, contagiando novas gerações com o mesmo. Ainda que o sonho esteja um tanto longe da realidade: mesmo contando com a orientação de um palentólogo conceituado, o filme foi feito em pleno boom dos computadores – o instrumento que viria revolucionar as descobertas científicas da paleontologia. Desde então fizeram-se inúmeros avanços que divergem, e até contrariam, alguns aspectos de Jurassic Park. Por exemplo, provou-se que muitos dinossauros tinham penas. Isso mesmo, pe-nas. Afinal, sempre eram mais próximos das aves do que dos répteis. Parece que o Dr. Grant tinha razão. 
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2 Comments

  1. Josh
    January 18, 2014 / 4:44 PM

    I’m not a fan of 3D (didn’t even see Gravity or Avatar in 3D), but I really wish I saw this when it was in theaters. A theater near me plays a series of classic movies throughout the year, so if it’s ever shown in 2D, I’ll try to check it out.

    (Yikes! I didn’t realize I hadn’t been on here for so long.)

    • January 18, 2014 / 5:32 PM

      That makes two of us then! Though sometimes I must give proper credit, so I’d say Gravity is one of the good ones. And Scorsese’s Hugo. But yeah, like I said, I went for Jurassic Park, period. I couldn’t care less about the 3D.

      Oh it’s fine, I’m happy you’re taking the time to comment now, I really appreciate it! 😀

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